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X-WR-CALNAME:James Webb There’s No Place Called Home (Belém\, Lisbon)
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SUMMARY:James Webb There’s No Place Called Home (Belém\, Lisbon)
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DESCRIPTION:tuuui trrrrrrrrrrrrrrrrrrr \, de James Webb (1975\, Kimberley\
 , África do Sul)\, opera como dois capítulos da mesma história — Ther
 e’s No Place Called Home (Belém\, Lisboa) (2025) e Learning from Birds 
 (2025). A maioria das histórias tem\, pelo menos\, uma personagem princip
 al\, um espaço e um tempo. A personagem principal desta história é o ca
 nto de um guarda-rios-da-floresta ( Halcyon senegalensis )\, um pássaro n
 ativo das regiões africanas a sul do Saara. O lugar de onde se ouve o can
 to do pássaro é uma magnólia nos jardins do MAC/CCB — Museu de Arte C
 ontemporânea e Centro de Arquitetura\, em Belém\, Lisboa. O outro lugar 
 da história é o espaço da Rádio-Galeria Antecâmara\, no Bairro das Co
 lónias\, em Lisboa\, de onde se ouve o mesmo canto do pássaro. O tempo d
 a história é agora\, 2025 e\, simultaneamente\, os tempos coloniais que 
 permanecem nos espaços públicos até hoje. There’s No Place Called Hom
 e (Belém\, Lisboa) (2025) é a mais recente iteração da série There’
 s No Place Called Home (2004–). Esta intervenção\, que começou há vi
 nte anos e conta com aproximadamente sessenta versões únicas\, segue sem
 pre a mesma metodologia: uma vez selecionada uma árvore\, é escolhido o 
 canto de um pássaro estrangeiro — um pássaro que nunca poderia ser enc
 ontrado naquele local — para ser transmitido por altifalantes escondidos
  nessa árvore. As aves e as árvores têm uma relação simbiótica\, cad
 a uma beneficiando da outra: algumas aves ajudam a dispersar sementes\, co
 ntribuindo para a reprodução e biodiversidade de árvores\; as árvores\
 , por sua vez\, fornecem abrigo\, locais de nidificação e alimento para 
 as aves (Faustino et al.\, 2024). As espécies de árvores que podem ser e
 ncontradas em todo o planeta estão profundamente enraizadas em legados co
 loniais. Ao colocar (ou deslocar) o canto de um pássaro estrangeiro numa 
 árvore\, James Webb destaca estes legados coloniais. Os países europeus 
 extraíram recursos dos seus ambientes naturais como forma de demonstrar o
  seu poder imperial\, tanto para lucro económico como por razões estéti
 cas\, para mostrar plantas «exóticas» em ambientes onde nunca cresceria
 m. Ao mesmo tempo\, as plantas europeias foram introduzidas intencionalmen
 te em regiões colonizadas\, principalmente para garantir produção de al
 imentos e sobrevivência\, mas também por «razões estéticas e nostálg
 icas» (Crosby\, 2004 em Lenzner et al.\, 2022:1724). Após o período col
 onial\, a reorganização do comércio global intensificou e acelerou a in
 trodução de espécies exóticas em todo o mundo (Lenzner et al.\, 2022:1
 723). A extração e a deslocação de árvores perturbam estes ecossistem
 as naturais\, com efeitos para as populações de aves e de árvores e\, e
 m última análise\, para os humanos. Quando uma árvore é colocada num l
 ocal que lhe é estranho\, atrai outras espécies de aves\, que\, por sua 
 vez\, respondem de forma diferente ao ambiente. Estas respostas\, como a d
 iminuição de espécies polinizadoras em determinadas zonas\, têm efeito
 s múltiplos\, nomeadamente na biodiversidade\, crucial para a sobrevivên
 cia humana. O canto dos pássaros na versão lisboeta de There’s No Plac
 e Called Home pode ouvir-se em dois lugares carregados de legados coloniai
 s. O bairro de Belém\, onde se localiza o MAC/CCB\, está repleto de monu
 mentos que celebram os tempos colonial e imperial de Portugal: a Praça do
  Império\; a Torre de Belém\; o Mosteiro dos Jerónimos\; o Padrão dos 
 Descobrimentos\; o Palácio de Belém\; e o Monumento aos Combatentes do U
 ltramar. Por sua vez\, as práticas do colonialismo inseridas na paisagem 
 são visíveis não só nas espécies de plantas que se podem encontrar na
 s áreas públicas destes monumentos\, mas também no Jardim Botânico Tro
 pical (anteriormente denominado Jardim Colonial)\, com mais de 600 espéci
 es não autóctones. No website\, a descrição dos Jardins descreve: «Co
 m uma forte vocação de formação\, tendo em vista a exploração das an
 tigas colónias\, sobretudo em Africa\, foi considerado base indispensáve
 l ao ensino» (2025). O uso do termo «exploração» é revelador nos con
 textos do colonialismo e do imperialismo. O segundo capítulo do projeto d
 e James Webb\, na Rádio-Galeria Antecâmara\, situa-se no antigo Bairro d
 as Colónias\, composto pelas ruas Angola\, Guiné\, Ilha do Príncipe\, I
 lha de S. Tomé\, Macau\, Moçambique\, Timor e Zaire\, em homenagem às a
 ntigas colónias portuguesas. Ambos os espaços urbanos representam uma id
 entidade nacional portuguesa idealizada após o fim do império colonial. 
 Como lembra Ana Balona de Oliveira\, estes lugares fazem eco «da grande n
 arrativa dos chamados descobrimentos que continua a negar as histórias e 
 as memórias violentas da escravatura e do colonialismo. Esta narrativa ne
 gacionista […] permanece profundamente enraizada nos monumentos comemora
 tivos\, muitos dos quais foram construídos sob a égide do regime ditator
 ial do Estado Novo (1926–1974)\, enquanto outros foram erguidos muito ma
 is recentemente» (2022:229). As vocalizações incongruentes do guarda-ri
 os-da-floresta são transmitidas para a Rádio-Galeria Antecâmara. Os son
 s do pássaro confrontam\, na
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